domingo, julho 23, 2006

Recaída

Doutor, acho que estou a recuperar bem. Embora as noites continuem longas e os dias compridos, o amanhecer parece sofrer uma gradação de beleza a cada dia que passa. Estou a conseguir encontrar-me, não tenho dúvidas disso. Mas, doutor, hoje abri uma excepção. Não foi voluntária, a sério que não. Mas voltei a mergulhar naquele mar confuso que me acostumei nos últimos anos. Revivi tudo. Voltei a sentir o que queria e o que não queria. E voltei a ver que o que não queria vem sempre em maior quantidade que o que queria. Sempre soube onde a estrada acaba, mas teimo sempre em seguir aquele trilho. É como me dizerem que o caminho de pedra é o mais rápido e mais seguro, mas de já estar tão habituado ao de terra, nem me dou ao trabalho de o conhecer. Imagino que um dia estas sessões acabarão por ter valido a pena. Ou talvez me limite ao meu egocentrismo na hora da vitória, aclamando a minha grande personalidade como pilar base para o meu sucesso. Mas se acredito tão fortemente em mim, porque recorrer a terceiros? Porque não ultrapasso todas as barreiras sozinho? Hoje, tive uma recaída... já sei que o combinado era não poder ter mais. Mas ás vezes o amor fala mais alto. E eu sou assim, não aguento. É como estar de dieta e ter um pacote aberto de maltesers mesmo à nossa frente. Não dá. Pelo menos uma bolinha tem de ser consumida. Adoro chocolate porque é a coisa mais saborosa do mundo. Adoro o amor porque é a melhor coisa do mundo. Odeio chocolate por fazer engordar. Odeio o amor por fazer sofrer. Amanhã não sei o que vou fazer, mas não me arrependo de hoje.

1 Comments:

At 1:13 da manhã, Anonymous Anónimo said...

este lembrou me o 'tudo que temos cá dentro' do daniel sampaio.

 

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